Rio Branco, AC, 14 de julho de 2026 11:36

Mais da metade dos universitários com filhos já trancou ou abandonou estudos por falta de apoio, aponta levantamento do MEC

Mais da metade dos estudantes de graduação que têm filhos já precisou trancar a matrícula ou desistir dos estudos para conseguir conciliar a vida acadêmica com os cuidados familiares. É o que aponta um levantamento realizado por um grupo de trabalho ligado ao Ministério da Educação (MEC), voltado às demandas de estudantes responsáveis por crianças.

Segundo a pesquisa, 54,4% dos alunos e alunas da graduação afirmaram ter interrompido a formação em algum momento devido às responsabilidades com os filhos. Na pós-graduação, o índice também é considerado elevado: 36,4% dos estudantes relataram a mesma dificuldade.

O estudo ouviu mais de 7,4 mil pessoas e revelou que a maioria dos participantes é formada por mães (86,5%). Entre os estudantes de graduação, a média de idade é de 33 anos, com predominância de aulas presenciais (92,8%) e no período noturno (43,3%).

O perfil mais comum entre os graduandos com filhos indica uma população formada principalmente por pessoas solteiras (46%), negras pretas e pardas (60,2%), matriculadas em universidades públicas federais (79,5%), com apenas um filho (59,6%), vivendo em famílias de três pessoas (39%) e com renda de até um salário-mínimo (24,6%).

Falta de acesso à alimentação universitária preocupa

Um dos pontos de atenção destacados pelo levantamento é a segurança alimentar dos filhos dos estudantes. Os restaurantes universitários (RUs), que oferecem refeições a preços acessíveis, aparecem como uma importante ferramenta de apoio.

No entanto, 51% dos estudantes de graduação com filhos e 49,3% dos alunos de pós-graduação afirmaram que as crianças não têm direito à alimentação nos restaurantes universitários.

Entre os que possuem acesso, apenas 7,1% dos estudantes de graduação e 2,9% da pós-graduação disseram que a alimentação dos filhos é gratuita. Já o acesso mediante pagamento foi informado por 10,7% dos graduandos e 9,2% dos pós-graduandos.

O levantamento também apontou falta de informação: 30,3% dos estudantes de graduação e 38% dos alunos de pós-graduação disseram não saber se os filhos têm direito ao benefício, indicando falhas na comunicação das instituições de ensino.

Vulnerabilidade financeira e ausência de rede de apoio

A pesquisa também revelou dificuldades econômicas enfrentadas por estudantes responsáveis por crianças. Entre os graduandos, 16,1% afirmaram não possuir nenhum rendimento, enquanto 14,5% vivem com até meio salário-mínimo. Apenas 2,5% declararam renda superior a dez salários-mínimos.

Quando questionados sobre rede de apoio para cuidar dos filhos, 43,3% citaram ajuda de familiares e amigos. Porém, 32,9% afirmaram enfrentar a rotina sem nenhum tipo de suporte.

A contratação de serviços particulares, como babás, é uma realidade para poucos: somente 5,9% dos estudantes de graduação conseguem pagar por esse tipo de auxílio. Outros 7,5% contam com serviços públicos e menos de 1% recebem apoio de organizações não governamentais ou projetos comunitários.

Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de criação e ampliação de políticas públicas voltadas à permanência de estudantes com filhos no ensino superior.

Pós-graduação apresenta cenário diferente

Entre os estudantes de especialização, mestrado e doutorado, o levantamento identificou algumas diferenças no perfil socioeconômico. A maioria se declarou branca (56,1%), enquanto 42,1% são negros (pretos e pardos), 0,8% indígenas e 0,9% amarelos.

O estado civil predominante nesse grupo é de pessoas casadas (50,6%). A situação financeira também apresenta melhores indicadores em comparação à graduação: apenas 1,1% vivem com até meio salário-mínimo, enquanto 38,9% possuem renda de até cinco salários-mínimos.

Além disso, 23,1% declararam renda entre cinco e dez salários-mínimos e 13% recebem acima de dez salários-mínimos. O percentual de estudantes sem nenhum rendimento é de 3,3%, e 4,8% vivem com até um salário-mínimo.

O relatório do grupo de trabalho do MEC destaca que, apesar das diferenças entre graduação e pós-graduação, estudantes com filhos ainda enfrentam desafios significativos para permanecer no ensino superior, principalmente relacionados a apoio financeiro, alimentação e cuidados com as crianças.

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