Rio Branco, AC, 25 de setembro de 2026 14:40

Empresários doam R$ 43,4 milhões a partidos em 2026 em vez de repassar diretamente a campanhas

Grandes empresários têm direcionado recursos financeiros aos partidos políticos durante o ano eleitoral de 2026, em vez de fazer doações diretamente às campanhas de candidatos. Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, até 24 de agosto, as legendas haviam declarado R$ 43,4 milhões em recursos privados destinados à manutenção partidária. 

A estratégia faz com que os valores sejam registrados nas contas anuais dos partidos, e não diretamente na prestação de contas dos candidatos. Com isso, o vínculo entre o doador e uma eventual candidatura beneficiada pelo dinheiro não aparece de forma direta na prestação de contas eleitoral individual.

O prazo para a prestação de contas também é diferente. Enquanto as campanhas precisam apresentar as informações financeiras à Justiça Eleitoral até 30 dias depois da eleição, as contas partidárias referentes a 2026 podem ser apresentadas até 30 de junho de 2027. 

O valor de R$ 43,4 milhões representa mais da metade dos R$ 78 milhões que, até aquele momento, haviam sido doados diretamente às campanhas por pessoas físicas. As duas cifras ainda podem aumentar à medida que os partidos e candidatos atualizem os registros no sistema da Justiça Eleitoral. 

Concentração de grandes doações

Entre junho e agosto, período que antecedeu o início da campanha, R$ 21,7 milhões foram destinados às contas partidárias. Ao todo, 114 pessoas fizeram doações superiores a R$ 20 mil aos partidos em 2026, somando R$ 24,4 milhões.

Desse grupo, 53 pessoas contribuíram com mais de R$ 100 mil, enquanto seis fizeram doações de R$ 1 milhão ou mais. Em 2025, ano sem eleições, os doadores que ultrapassaram R$ 20 mil haviam somado R$ 15,4 milhões, e nenhum deles havia chegado à marca de R$ 1 milhão. 

Um dos casos citados envolve o Republicanos. Entre 15 e 30 de junho, 16 executivos, conselheiros e integrantes de famílias ligadas ao setor sucroenergético doaram cerca de R$ 1,3 milhão ao diretório nacional da legenda. Entre os nomes estão pessoas ligadas à Cosan, à usina São Martinho, à Cocal e à Copersucar. Ao todo, o partido havia recebido R$ 7,4 milhões em doações de pessoas físicas. 

O levantamento também aponta que o Republicanos repassou R$ 8,8 milhões, por meio do fundo partidário, para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. A legislação permite que recursos do fundo partidário sejam destinados às campanhas, desde que os repasses sejam declarados. 

O fundo partidário pode ser utilizado para a manutenção das atividades das legendas e também transferido às campanhas. Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral, é destinado especificamente às eleições. 

A prática de concentrar doações nos diretórios partidários é permitida dentro das regras de financiamento político, mas faz com que a identificação da relação entre o doador privado e a candidatura que eventualmente receba recursos do partido não seja apresentada da mesma forma que em uma doação direta. 

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