Rio Branco, AC, 23 de outubro de 2026 15:59

Secretário de Segurança é afastado após pedir prisão de eleitores do PT no Maranhão; TRE aciona Polícia Federal

Em áudios enviados a um grupo de policiais militares, James Mota defendeu a prisão de petistas para intimidar eleitores. Após a repercussão, ele afirmou que as declarações eram uma brincadeira.

O secretário municipal de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, sargento da Polícia Militar James Mota da Silva, foi afastado do cargo na quinta-feira (22) após a divulgação de áudios em que defende a prisão de eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). As declarações, compartilhadas em um grupo de policiais militares, provocaram repercussão política e levaram o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) a acionar a Polícia Federal nesta sexta-feira (23).

Em uma das gravações, o então secretário afirma que apoiadores do PT seriam inimigos da polícia e da sociedade. Em outro trecho, defende que policiais realizem prisões para provocar medo entre eleitores da legenda. As mensagens foram divulgadas a poucos dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

“Vamos botar esses petistas no lugar deles. Vamos botar para prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”, declarou Mota em um dos áudios divulgados.

Após a repercussão, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), determinou o afastamento do sargento de suas funções na Polícia Militar e a abertura de uma investigação sobre o conteúdo das gravações. O prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (MDB), também oficializou o afastamento de James Mota da secretaria municipal até o encerramento do período eleitoral.

Em nota, a prefeitura afirmou que reprova manifestações contrárias à democracia e ao livre exercício do voto. A administração municipal também declarou que colaborará com a Justiça Eleitoral para garantir a segurança dos eleitores.

A Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral solicitando a investigação das declarações. O pedido inclui a apuração de possíveis crimes eleitorais, como intimidação e constrangimento de eleitores.

Nesta sexta-feira (23), o corregedor eleitoral do Maranhão, Sebastião Bonfim, informou que o TRE-MA comunicou à Polícia Federal a existência dos áudios para que os fatos sejam apurados.

Secretário diz que áudios eram brincadeira

Após o afastamento, James Mota reconheceu ter enviado as mensagens, mas alegou que as declarações foram feitas em tom de brincadeira, dentro de um grupo de policiais com diferentes posicionamentos políticos.

Segundo o sargento, as conversas envolviam provocações entre integrantes do grupo, e os áudios teriam sido divulgados fora de contexto. Ele também negou qualquer intenção de utilizar o cargo público ou sua condição de policial militar para prejudicar eleitores de determinado partido.

O caso segue sob apuração das autoridades competentes.

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