O Brasil segue entre os países com as maiores taxas de cesarianas do mundo. De acordo com dados apresentados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 60% dos nascimentos no país ocorrem por meio de cirurgia, percentual que chega perto de 90% na rede privada de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as cesarianas representem até 15% dos partos, reservando o procedimento principalmente para situações em que há indicação médica.
Pesquisa divulgada pelo Unicef aponta que esse cenário não é resultado apenas de uma escolha individual das gestantes. O estudo concluiu que fatores psicológicos, sociais e estruturais influenciam diretamente a decisão sobre a via de nascimento. O levantamento também resgata dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que mostram que sete em cada dez mulheres desejavam ter parto normal no início da gravidez, mas muitas acabaram passando por cesarianas ao longo da gestação.
Entre os fatores identificados estão o medo da dor, experiências negativas relatadas por familiares, desinformação durante o pré-natal e dificuldades de acesso a recursos como analgesia, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa também aponta que muitas gestantes desconhecem direitos, como a elaboração de um plano de parto e a possibilidade de realizar laqueadura após um parto normal, o que pode influenciar a escolha pela cirurgia.
Diante desse cenário, o Unicef defende medidas para qualificar a assistência às gestantes, com informações mais claras durante o pré-natal, ampliação do acesso à analgesia e fortalecimento de políticas voltadas ao parto humanizado. A entidade também lançou a campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, com o objetivo de incentivar decisões baseadas em informação, evidências científicas e no respeito à autonomia das mulheres durante a gestação e o parto.


