Rio Branco, AC, 7 de novembro de 2026 16:34

Crise política no Paraguai acende alerta no Brasil após impeachment e prisão de Santiago Peña

A crise política e financeira que atinge o Paraguai passou a ser acompanhada com atenção pelo governo brasileiro. A situação no país vizinho ganhou novos desdobramentos após o impeachment do então presidente Santiago Peña e a determinação de prisão domiciliar, em meio às investigações relacionadas ao colapso do banco digital Ueno Bank.

A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar, na terça-feira (3), a liquidação do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país. A medida foi adotada após a identificação de problemas financeiros na instituição, que deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às próprias contas.

Santiago Peña renunciou à Presidência na quinta-feira (5), mas o Congresso decidiu dar continuidade ao processo de impeachment. Na sexta-feira (6), o Senado aprovou sua destituição. Pouco depois, o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar por determinação das autoridades paraguaias.

As investigações apuram possíveis irregularidades envolvendo a administração do banco, a destinação de recursos públicos e a atuação de autoridades responsáveis pela fiscalização da instituição. Peña tinha sido acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. Ele nega ter cometido irregularidades.

O caso também atingiu o comando do Banco Central do Paraguai, com a saída de dirigentes da instituição. Neste sábado (7), o Ministério Público formalizou acusações contra Peña e o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e solicitou a prisão preventiva dos dois.

A situação preocupa o Brasil devido à proximidade geográfica e aos fortes laços econômicos e diplomáticos entre os dois países. Com quase 200 anos de relações diplomáticas e mais de mil quilômetros de fronteira compartilhada, Brasil e Paraguai mantêm parcerias estratégicas em diferentes áreas.

Entre os principais pontos de integração está a Usina Hidrelétrica de Itaipu, administrada conjuntamente pelas duas nações. Os países também são membros fundadores do Mercosul, bloco que reúne importantes parceiros comerciais da América do Sul.

Outro fator que aproxima os países é a presença de uma expressiva comunidade brasileira em território paraguaio, estimada em mais de 250 mil pessoas.

Embora não haja indicação de que a crise tenha provocado impactos diretos no Brasil, o agravamento da instabilidade política e financeira pode afetar empresas brasileiras, investimentos e projetos de integração regional.

A preocupação também envolve possíveis reflexos sobre a estabilidade econômica da América do Sul, especialmente diante da importância estratégica do Paraguai nas relações comerciais e energéticas com o Brasil.

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