Rio Branco, AC, 13 de outubro de 2026 21:25
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El Niño pode atingir intensidade muito forte e aumentar riscos climáticos no Brasil, aponta boletim de órgãos federais

Boletim aponta 95% de probabilidade de intensificação do fenômeno até o fim de 2026, com previsão de seca no Norte e de chuvas intensas no Sul do país. O El Niño deve ganhar força nos próximos meses e pode estar entre os episódios mais intensos registrados desde 1950, segundo o Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por instituições federais de monitoramento climático. O documento aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, com possibilidade de persistência até o primeiro trimestre de 2027. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, confirmado em junho, ultrapassou 2 °C acima da média em áreas centrais e orientais no fim de setembro. As projeções indicam cenários distintos entre as regiões brasileiras. No Norte, no Nordeste e em parte do Centro-Oeste, a tendência é de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, condições que podem agravar a seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de queimadas. No Acre, Amazonas e Roraima, o agravamento da estiagem já exige atenção, especialmente nas áreas próximas às bacias dos rios Branco e Negro, onde os níveis estão baixos. Dados parciais de setembro do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também apontam aumento dos registros de seca severa e extrema em municípios brasileiros. Na Região Sul, a previsão é de precipitações acima da média, o que mantém o alerta para cheias e inundações. Em setembro, chuvas volumosas provocaram elevação dos níveis dos rios e alagamentos em municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, principalmente nas bacias dos rios Taquari e Caí. O excesso de umidade também pode prejudicar atividades agrícolas, atrasar a colheita do trigo e dificultar o plantio de outras culturas. Em contrapartida, a falta de chuva no centro-norte do país pode comprometer lavouras, pastagens e o abastecimento de água para os rebanhos. O boletim foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Censipam. As instituições ressaltam que as previsões representam tendências sazonais e que os efeitos podem variar conforme as condições meteorológicas de cada localidade. Por isso, recomendam acompanhar os avisos oficiais e os alertas da Defesa Civil, além de reforçar as medidas de prevenção diante dos riscos de seca, incêndios e inundações.

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