A hesitação vacinal e a importância dos imunizantes na prevenção da dengue e do herpes-zóster foram debatidas durante o IV Fórum de Infectologia, realizado na manhã desta sexta-feira (18) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Com o tema “Doenças Imunopreveníveis – sempre um desafio”, a última mesa do evento reuniu especialistas para discutir a redução da cobertura vacinal, as formas de combate ao mosquito Aedes aegypti e a necessidade de ampliar o acesso às vacinas.
O pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, conselheiro federal de Medicina por Pernambuco, explicou que a recusa ou o adiamento da vacinação ocorre por diferentes motivos. Segundo ele, algumas pessoas rejeitam todos os imunizantes, enquanto outras aceitam somente determinados tipos.
Para o especialista, a hesitação vacinal deve ser compreendida como um fenômeno social, institucional, político e comunicacional. Nesse cenário, os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental no combate às informações falsas e na recuperação da confiança da população nas instituições.
Eduardo Jorge também defendeu medidas para facilitar o acesso aos imunizantes, como a ampliação dos horários de funcionamento das unidades de saúde, a manutenção dos estoques e a realização de busca ativa das pessoas que estão com a vacinação atrasada.
Durante o debate sobre a dengue, o infectologista Kleber Giovanni Luz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, destacou que a incidência da doença varia consideravelmente entre as regiões brasileiras de um ano para outro. Até junho, o país havia registrado 392.816 casos, concentrados principalmente em estados do Sudeste, além de Goiás e Tocantins.
Segundo o especialista, a prevenção da dengue depende da combinação entre o controle do mosquito, o uso de repelentes e mosquiteiros e a vacinação das pessoas que integram os grupos indicados.
Kleber Giovanni também apresentou informações sobre as três vacinas contra a dengue produzidas até o momento: CYD, TAK-003 e a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. Ele ressaltou que a CYD deixou de ser utilizada após apresentar problemas e que a vacina brasileira permanece suspensa.
A prevenção do herpes-zóster foi abordada pelo infectologista Flávio Augusto de Pádua Milagres, professor da Universidade Federal do Tocantins. O médico explicou que pessoas com mais de 50 anos, pacientes com doenças crônicas ou imunossupressão e aqueles submetidos a estresse físico e emocional apresentam maior risco de reativação do vírus.
A doença pode provocar complicações duradouras, como neuralgia pós-herpética e dores crônicas. Por isso, o especialista apontou a vacinação como a forma mais eficaz de prevenção.
Atualmente, a vacina contra o herpes-zóster está disponível apenas na rede privada. Existem, no entanto, projetos em tramitação no Congresso Nacional para incluir o imunizante no Programa Nacional de Imunizações.


