Rio Branco, AC, 9 de julho de 2026 10:29

Estudo aponta que poluição do ar pode alterar DNA dos espermatozoides e afetar fertilidade masculina

A exposição à poluição atmosférica pode estar relacionada a alterações no funcionamento dos genes dos espermatozoides, segundo um estudo apresentado durante a 42ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). A pesquisa indica que os poluentes podem interferir no processo de formação dos espermatozoides, mas os impactos diretos sobre as taxas de gravidez e o desenvolvimento dos bebês ainda precisam ser esclarecidos.

O estudo acompanhou mais de 2 mil homens entre 2013 e 2017, em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Os participantes forneceram amostras de sêmen no início da pesquisa e em outros períodos, após dois, quatro e seis meses. Os pesquisadores analisaram a relação entre a exposição a poluentes durante a espermatogênese, fase em que os espermatozoides são produzidos, e possíveis mudanças moleculares nas células reprodutivas.

A análise se concentrou na metilação do DNA espermático, um mecanismo químico que controla a atividade dos genes sem alterar a sequência genética. Os cientistas avaliaram a influência de substâncias presentes no ar, como dióxido de nitrogênio (NO₂), ozônio (O₃), dióxido de enxofre e partículas finas. Entre os poluentes estudados, o NO₂ e o O₃ apresentaram maior associação com alterações identificadas nos espermatozoides.

Ao todo, foram encontradas 39 mudanças na metilação do DNA relacionadas à exposição à poluição. Segundo os pesquisadores, algumas dessas alterações ocorreram em genes ligados à formação dos espermatozoides, à organização dos cromossomos e ao controle das células reprodutivas. Um dos genes que recebeu destaque foi o GNAS, associado à qualidade do sêmen e a etapas iniciais do desenvolvimento embrionário.

Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que o estudo ainda não comprova que essas alterações sejam transmitidas aos filhos ou que causem problemas durante a gestação. Novas pesquisas serão necessárias para avaliar se as mudanças observadas realmente influenciam a fertilidade masculina, as taxas de gravidez e a saúde dos bebês. O trabalho foi desenvolvido com pesquisadores de diferentes instituições e apresentado pela ESHRE, entidade europeia dedicada ao estudo da reprodução humana.

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