Rio Branco, AC, 29 de outubro de 2026 11:23

Famílias do Acre enfrentam dificuldades no tratamento da anemia falciforme e pedem melhorias na saúde pública

Pacientes convivem com crises intensas de dor, internações frequentes e desafios no acesso ao atendimento especializado; Secretaria de Saúde se manifesta sobre os relatos.

Famílias acreanas que convivem com a anemia falciforme relatam dificuldades na busca por tratamento e acompanhamento médico especializado. A doença genética e hereditária afeta os glóbulos vermelhos do sangue, podendo provocar dores intensas, anemia crônica, infecções e complicações graves. Os relatos reforçam a necessidade de melhorias na assistência oferecida aos pacientes no estado. Cidade AC News

Um dos casos é o do estudante João Eduardo Albuquerque, de 24 anos, que enfrentou anos de crises dolorosas até passar por um transplante de medula óssea em 2022. A doadora foi sua própria mãe, Aurineia Albuquerque. Segundo o jovem, o procedimento proporcionou uma melhora de aproximadamente 90% em sua qualidade de vida. Apesar de ainda conviver com sequelas, ele deixou de enfrentar as crises agudas que antes exigiam atendimento hospitalar frequente.

A preocupação também faz parte da rotina de Leila Benício e Dhomini Gomes, pais da pequena Ester, de apenas 3 anos. Diagnosticada com a doença, a menina precisa de cuidados constantes, uso diário de medicamentos e atenção a fatores que podem desencadear crises, como infecções, mudanças de temperatura e esforços físicos excessivos. Para a família, o acompanhamento adequado é fundamental para garantir a saúde e o desenvolvimento da criança.

Entre as principais dificuldades apontadas pelas famílias está a necessidade de profissionais mais preparados para reconhecer e tratar as complicações da doença. Em resposta aos relatos, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que o Hospital da Criança realiza os atendimentos seguindo protocolos assistenciais e avaliações individuais. A pasta também afirmou estar disponível para apurar possíveis problemas nas condutas profissionais e receber manifestações por meio dos canais de ouvidoria.

A anemia falciforme pode ser identificada ainda nos primeiros dias de vida por meio do teste do pezinho, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora não exista uma cura aplicável a todos os pacientes, o acompanhamento contínuo, o uso de medicamentos e, em casos específicos, o transplante de medula óssea podem reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida. O Ministério da Saúde reforça que o diagnóstico precoce é essencial para prevenir agravamentos e garantir melhores condições de saúde aos pacientes.

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