O governo central fechou março de 2026 com um déficit primário de R$ 73,8 bilhões, o pior resultado já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997. O número evidencia uma deterioração expressiva das contas públicas e supera com folga o desempenho do mesmo período do ano passado, quando havia sido registrado superávit. O resultado pressiona ainda mais a credibilidade da política fiscal em um momento de atenção do mercado.
O rombo foi impulsionado principalmente pelo forte crescimento das despesas, que avançaram em ritmo muito superior ao das receitas. Gastos obrigatórios, como Previdência, folha de pagamento do funcionalismo e o pagamento de precatórios, tiveram peso decisivo no resultado negativo. Apesar do aumento na arrecadação, ele não foi suficiente para compensar a expansão das despesas públicas.
No acumulado do ano, o cenário também é de piora em relação ao período anterior, reforçando as dificuldades do governo em cumprir metas do novo arcabouço fiscal. A equipe econômica atribui parte da volatilidade a fatores sazonais e a pagamentos extraordinários, mas analistas avaliam que o resultado acende um sinal de alerta sobre a sustentabilidade das contas públicas ao longo de 2026.


