A morte de Oliver Golden Grayson, de 3 anos, espancado pelo pai no domingo (5), em Viamão (RS), apontam que a criança vivia em um ambiente marcado por isolamento, controle familiar e fanatismo religioso. Conforme relatos reunidos durante a apuração do caso, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson exercia rígido domínio sobre a esposa e os cinco filhos, restringindo o contato da família com o mundo exterior. Entre as práticas atribuídas a ele está a realização dos cinco partos em casa, sem acompanhamento médico, sob a justificativa de preservar a intimidade da esposa.
“Ela tinha 19 anos. Sequer havia terminado o ensino médio. Quando chegaram, ele cortou todas as relações dela com a família. Os e-mails enviados pelo pai de Mayanna eram respondidos pelo marido, que se passava por ela”, expõe a advogada Isabel Cochlar. Ela faz a defesa voluntária de Mayanna ao lado dos colegas Juliana Braun Martins e André von Berg, por meio da Rede Brilhe, instituição social que atua no amparo a mulheres em situação de vulnerabilidade. A mãe é acusada de omissão e conivência na morte de Oliver. “Mayanna é vítima, assim como as crianças, de um ambiente de controle emocional, físico e espiritual”, frisa Isabel.
Segundo a investigação, a família deixou os Estados Unidos há cerca de dez anos após Dandre afirmar que teria uma missão religiosa no Brasil. Desde então, Mayanna teria sido submetida a um processo de isolamento, perdendo contato com familiares e vivendo sob forte influência do marido. As crianças também tinham acesso limitado ao convívio social e, de acordo com os relatos, frequentavam a escola apenas para atender às exigências relacionadas ao recebimento do Bolsa Família.


