Rio Branco, AC, 21 de agosto de 2026 17:43

Pesquisa aponta que 69% dos brasileiros temem comprar medicamentos pela internet

Uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest mostra que 69% dos consumidores brasileiros têm receio de comprar medicamentos falsificados pela internet. Entre os entrevistados, 85% responsabilizam as plataformas de venda online pela eventual oferta de remédios falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida.

O levantamento foi encomendado pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos em casa e que fazem compras pela internet pelo menos uma vez a cada três meses. As entrevistas foram realizadas entre 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país. Outros 59% dos participantes disseram temer receber medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada, enquanto 54% citaram o risco de adquirir produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para 82% dos consumidores ouvidos, a comercialização digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Outros 71% consideram que os medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns nas plataformas digitais. A presença de um farmacêutico também influencia a confiança na compra: 78% afirmaram que a participação do profissional aumenta a segurança na aquisição de medicamentos.

A Anvisa revogou, em agosto, medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. A agência esclareceu que a decisão não autoriza automaticamente a venda de medicamentos nesses canais. A Lei nº 15.357/2026 permite que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega de medicamentos, desde que sejam cumpridas as normas sanitárias. A aplicação da medida, porém, ainda depende de regulamentação específica da Anvisa. No dia 19 de agosto, a Diretoria Colegiada da agência aprovou, por unanimidade, a abertura de processo administrativo para regulamentar a contratação dessas plataformas.

O Conselho Federal de Farmácia afirmou que a utilização das plataformas deve ocorrer como parte da operação das farmácias, e não como uma autorização para a venda aleatória de medicamentos pela internet. O Procon-RJ orienta os consumidores a desconfiarem de preços muito abaixo dos praticados normalmente e a guardarem documentos da compra, como nota fiscal, comprovante e anúncio. A Anvisa informou que ainda editará as normas necessárias para adequar as regras sanitárias à Lei nº 15.357/2026. A pesquisa também apontou que 56% dos entrevistados teriam dificuldade para saber a quem recorrer caso enfrentassem problemas com um medicamento comprado em plataformas digitais.

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