A saúde pública é uma das principais prioridades do plano de governo de Thor Dantas (PSB), candidato ao Governo do Acre pela Frente Ampla. Médico, ele apresenta uma proposta de reestruturação da rede estadual de saúde, com a implantação de um Hospital Universitário Federal, realização de concursos, valorização dos profissionais e fortalecimento dos serviços especializados no interior.
Entre os principais problemas apontados pelo candidato está a insuficiência de leitos hospitalares. Segundo Thor, o Acre possui aproximadamente metade da quantidade de leitos necessária proporcionalmente à população, situação que contribui para a superlotação do Pronto-Socorro de Rio Branco e para a permanência de pacientes nos corredores.
“Um dos principais problemas da saúde é que a gente tem metade do número de leitos no Acre do que deveria ter, proporcionalmente a população que o Acre tem. Isso é um dos principais motivos do Pronto-Socorro estar sempre cheio de pacientes nos corredores”, explicou o candidato.
Para enfrentar esse déficit, Thor Dantas propõe implantar um Hospital Universitário Federal que terá papel estratégico na ampliação da capacidade hospitalar do Estado e na integração entre assistência, formação de profissionais e produção de conhecimento. O candidato também chama atenção para a atual situação da Fundação Hospital do Acre (Fundhacre), que, em sua avaliação, não tem mais capacidade para atender a população.
“O Hospital Universitário é um novo hospital, que vai duplicar essa nossa capacidade de leitos que a gente precisa. Sem construir um novo hospital no Acre, a gente não consegue resolver esse problema que as pessoas têm de não conseguir acessar o serviço”, pontuou Thor Dantas.
O candidato também destaca que o Acre é o único estado brasileiro que ainda não possui um hospital universitário federal e afirma que a construção da unidade será uma das prioridades de sua gestão.
“O Acre é o único estado de todos do país que não tem um hospital universitário. Então está no nosso plano porque é necessário construir esse hospital universitário, porque há três anos o governo enrola a gente, o governo empurra com a barriga e não fez a sua parte para a construção do hospital universitário e nós vamos fazer”, afirmou o candidato.
Ampliação e valorização dos profissionais de saúde
Além da ampliação da estrutura física, o plano de Thor prevê a realização de concursos públicos e parcerias para ampliar em pelo menos 50% o número de profissionais da saúde, de acordo com as necessidades da rede e a capacidade fiscal do Estado.
O candidato também defende a valorização das carreiras e a atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da saúde, com diálogo permanente com as categorias profissionais.
“Só tem como ser resolvido se tiver valorização dos profissionais. Sem profissionais valorizados qualificados e motivados, não tem como a população ter saúde de qualidade. Então nós vamos contratar os profissionais a bons salários, fazer uma carreira digna para os profissionais da saúde de todas as áreas”, destacou o candidato.
Thor Dantas também critica a demora na adequação do PCCR dos servidores da saúde e afirma que pretende tratar a atualização da carreira como prioridade.
“A saúde vem há oito anos exigindo adequação do seu PCCR que é o plano de cargos carreiras e remuneração. E o governo vem enganando os servidores empurrando com a barriga por total falta de vontade política. E nós vamos fazer o tão sonhado e necessário PCCR da saúde”, afirmou.
Fortalecimento das regionais
Outro eixo da proposta é a descentralização dos serviços. Thor defende o fortalecimento das regionais de saúde para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Rio Branco e garantir atendimento especializado mais próximo da população.
Segundo o candidato, regiões como Alto Acre, Tarauacá e Envira e Purus enfrentam dificuldades estruturais e carência de profissionais. Ele cita Brasileia como exemplo da necessidade de fortalecimento da rede regional.
“As regionais do interior estão completamente desestruturadas. Em Brasileia, que é a regional mais próxima da gente aqui perto da capital, não tem um cirurgião geral de plantão para resolver 24 horas, 7 dias por semana. O que é muito grave e oferece risco de vida para quem vive nesses municípios”, criticou o candidato.
A descentralização também está relacionada à política de contratação e fixação de profissionais, com incentivos financeiros para interiorização. Thor Dantas afirma que o Estado precisa criar condições para que médicos e demais trabalhadores da saúde permaneçam nos municípios do interior.
“Levar os profissionais até onde a população está , para que o atendimento vá até as pessoas e não seja necessário as pessoas sairem todas dos seus municípios para virem para Rio Branco”, destacou Thor Dantas.
Como resposta, Thor propõe um programa permanente de contratação dos profissionais formados no Acre.
“E nós vamos fazer um programa de contratação todo ano, todos os profissionais formados no Acre vão ser contratados pela gente. A gente não vai deixar que ninguém vá embora a não ser que queira, mas a gente não vai perder nenhum profissional por falta de oportunidade de trabalho”, disse.
A proposta inclui ainda incentivos financeiros para provimento e fixação de profissionais em áreas de difícil atração, atualização das políticas remuneratórias e ampliação da telessaúde como ferramenta para aproximar especialistas dos municípios do interior.
Para Thor Dantas, a experiência acumulada como médico e gestor da saúde contribui para a formulação das propostas apresentadas no plano de governo.
“E dizer que a saúde é a minha prioridade, para mim é questão de honra resolver o problema da saúde porque eu sou médico no Acre há 28 anos já e conheço os problemas da saúde de perto”, afirma.
O conjunto de propostas apresentado pelo candidato tem como eixo a ampliação da capacidade da rede, a contratação e valorização dos profissionais, a construção de novas estruturas e a regionalização dos serviços. A intenção, segundo Thor, é fazer com que o atendimento especializado esteja mais próximo da população e reduzir a sobrecarga concentrada atualmente na capital.


