Rio Branco, AC, 29 de agosto de 2026 15:38

TSE inicia etapas de fiscalização dos sistemas eleitorais para as Eleições de 2026

Os sistemas eleitorais que serão utilizados nas Eleições Gerais de 2026 passam por uma série de etapas de fiscalização e auditoria antes, durante e depois da votação. Os procedimentos são previstos na Resolução TSE nº 23.673/2021 e incluem inspeção dos códigos-fonte, acompanhamento da preparação das urnas, testes de integridade e autenticidade e verificações após a totalização dos votos.

A próxima etapa será a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais, marcada para 4 de setembro. Durante o procedimento, os sistemas serão apresentados às entidades fiscalizadoras, compilados, assinados digitalmente e posteriormente lacrados.

A assinatura digital é utilizada para garantir a autenticidade dos programas. Após essa etapa, os sistemas são gravados em mídias não regraváveis, colocados em invólucros lacrados e armazenados em um cofre da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (STI/TSE).

A compilação e a assinatura digital são realizadas por servidores do TSE, utilizando certificados emitidos por autoridade certificadora credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Representantes das entidades fiscalizadoras também podem assinar digitalmente os sistemas.

Durante o processo, são gerados ainda resumos digitais, conhecidos como hashes, dos códigos-fonte, arquivos executáveis e demais arquivos. O mecanismo permite identificar alterações, já que qualquer modificação no conteúdo resulta em um hash diferente. Uma cópia dos registros é entregue às entidades participantes e publicada no Portal do TSE.

Fiscalização começa antes da lacração

A fiscalização não começa apenas na cerimônia de setembro. As entidades autorizadas têm acesso aos programas desenvolvidos pelo TSE a partir de 12 meses antes do primeiro turno até a etapa de compilação.

Nesse período, é possível acompanhar a especificação e o desenvolvimento dos sistemas, além de analisar os códigos-fonte em ambiente controlado do Tribunal. Neste ciclo, sete entidades realizaram inspeções: União Brasil, Senado Federal, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Sociedade Brasileira de Computação, Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Procuradoria-Geral da República e Controladoria-Geral da União (CGU).

Para a cerimônia de 2026, solicitaram credenciamento o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), CNMP, Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Tribunal de Contas da União (TCU) e Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE).

A legislação eleitoral também prevê a participação de partidos políticos, federações e coligações, Congresso Nacional, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre outras instituições.

Auditorias continuam após a lacração

O processo de fiscalização segue depois da lacração. Nas cerimônias de geração de mídias e preparação das urnas, as entidades podem acompanhar os procedimentos, verificar a integridade e autenticidade dos sistemas e conferir a aplicação dos lacres físicos.

Antes da votação, são realizados ainda o Teste de Integridade e o Teste de Autenticidade das Urnas Eletrônicas.

No Teste de Integridade, são realizadas votações simuladas para verificar se os votos registrados pelas urnas correspondem aos resultados apresentados. Já o Teste de Autenticidade verifica a integridade dos programas instalados nos equipamentos e a regularidade dos procedimentos.

Após a votação, a fiscalização pode continuar por meio da análise de relatórios e arquivos dos sistemas. Também é possível conferir a contabilização dos votos por meio da comparação com os Boletins de Urna (BUs) impressos.

Sistemas podem ser alterados

A lacração dos sistemas não impede a realização de correções posteriores. Caso seja necessária alguma alteração, a mudança deve ser publicada no Portal do TSE e comunicada às entidades fiscalizadoras.

O sistema modificado precisa passar novamente pelas etapas de análise, compilação, assinatura digital e lacração. A alteração também depende de autorização prévia da Presidência do Tribunal.

Depois da cerimônia, as entidades fiscalizadoras têm cinco dias para apresentar eventual impugnação fundamentada aos programas.

Com o conjunto de procedimentos, a fiscalização dos sistemas eleitorais ocorre em diferentes momentos do processo eleitoral, desde o desenvolvimento dos programas e a preparação das urnas até os testes realizados antes da votação e as verificações posteriores à totalização dos resultados.

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