A Usina de Arte João Donato, um dos mais importantes espaços de difusão e formação cultural do Acre, comemora 20 anos de atividades com uma programação especial e gratuita a partir desta quarta-feira, 22, em Rio Branco. Promovida pelo governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), a celebração prossegue até sexta-feira, 24, reunindo música, dança, teatro, exposições, poesia falada, batalha de rimas e outras manifestações artísticas.
Inaugurada em abril de 2006 pelo músico acreano João Donato e pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, a Usina foi instalada no prédio de uma antiga usina de beneficiamento de castanha, no Distrito Industrial da capital. Ao longo de duas décadas, consolidou-se como espaço de criação, formação e intercâmbio artístico, tornando-se referência cultural no Acre e no país.

Durante os três dias de programação, o público poderá acompanhar espetáculos de música, dança e teatro, apresentações de tecido acrobático, exposições, batalhas de rima, slam e manifestações culturais de diferentes segmentos, em uma agenda pensada para celebrar a trajetória de um espaço que se firmou como ambiente de encontro, aprendizagem e transformação.
Desde sua criação, a Usina de Arte João Donato tem desempenhado papel decisivo na cena cultural acreana. Ao longo de 20 anos, recebeu em Rio Branco inúmeros espetáculos e artistas de várias partes do país, promovendo intercâmbio de experiências e contribuindo para a formação de novos talentos locais. Mais do que um palco para apresentações, o espaço se consolidou como centro multicultural, voltado tanto aos processos formativos quanto à experimentação artística.
A artista e produtora cultural Clarisse Baptista, primeira coordenadora da Usina, recorda com afeto o início do projeto idealizado pelo cineasta e roteirista Maurice Capovilla.

“Tenho uma relação de muito afeto com a Usina. Quando recebi o convite para coordenar o espaço, ele ainda estava em obras e, como eu também administrava o Teatrão, estendi para ali o projeto de formação que desenvolvíamos naquele local. Além de receber espetáculos, shows, exposições e filmes, promovemos vários cursos durante dois anos seguidos. Lembro que, naquela época, João das Neves dizia que estar na Usina era viver uma utopia”, afirma.
A concepção defendida por Clarisse Baptista, de que os espaços públicos de cultura devem funcionar não apenas como casas de espetáculo, mas também como ambientes de ensino e formação, segue presente na atuação do governo do Estado.

Atualmente, a Usina também exerce papel relevante como polo de formação artística, com oferta de cursos gratuitos e realização de eventos culturais sob a gestão da FEM, em parceria com o Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec).
A artista acreana Carol Di Deus, que atua nas áreas de música, teatro, palhaçaria e produção cultural, também relembra com emoção o período em que coordenou o espaço, entre 2011 e 2014.

“Foi um período muito especial, em que conseguimos avançar em passos importantes para a consolidação desse espaço tão singular. Naquele momento, estruturamos o Projeto Político-Pedagógico (PPP) e o Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI), além de realizar o primeiro concurso para professores de artes, fortalecendo não apenas a Usina, mas também a Escola de Música do Acre”, destaca.
Segundo Carol, foi também nesse período que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) passou a funcionar no espaço, integrando de forma articulada três instituições que seguem atuando em conjunto: a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), a FEM e o Ieptec, então Instituto Dom Moacyr. “Essa construção coletiva sempre foi uma das maiores riquezas da Usina”, ressalta.
Para ela, o trabalho desenvolvido ao longo dos anos por Clarisse Baptista, Simone Pessoa, que também esteve à frente da coordenação, e Manoel Benvindo, atual coordenador do espaço, revela o compromisso contínuo com a consolidação da Usina como equipamento público de excelência.
“Ver a Usina de Arte completar 20 anos é motivo de muita alegria e orgulho. É a confirmação de que o Acre possui uma produção cultural potente, qualificada e diversa, e de que espaços como esse são necessários. A Usina segue cumprindo seu papel com força e sensibilidade”, celebra.
A programação comemorativa pelos 20 anos da Usina de Arte João Donato é apresentada como um presente à população acreana, que terá a oportunidade de celebrar a cultura em um ambiente plural, vivo e carregado de significado histórico para a arte e a formação cultural no Estado.
Por: Agência de Notícias do Acre


