Unidade recebe cerca de 300 pacientes por dia, volume equivalente a 109,5 mil atendimentos por ano; iniciativa inclui novas residências e internato de estudantes
A dificuldade de manter especialistas fora da capital é um dos desafios da saúde no estado. Para ampliar a oferta no Alto Acre, Virgílio Viana quer criar residências em áreas com maior carência de profissionais e habilitar o Hospital Regional, em Brasiléia, para receber o internato de estudantes de medicina. Candidato a deputado federal pelo PV, ele defende que parte da formação ocorra nos municípios onde faltam determinadas especialidades.
Dados de 2022, reunidos no Plano Estadual de Saúde 2024-2027, registram demanda reprimida na regional em áreas como cirurgia geral, otorrinolaringologia, neuropediatria, cirurgia vascular, ortopedia e cardiologia. O documento traça o diagnóstico e as prioridades da rede para o período.
O Hospital Regional tem papel importante nesse cenário. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), cerca de 300 pessoas passam pela unidade diariamente, o equivalente a aproximadamente 9 mil por mês e 109,5 mil por ano. O serviço recebe moradores de Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil e Xapuri, além de cidadãos bolivianos, e realiza desde atendimento clínico geral até cirurgias eletivas.
“Não basta levar o especialista ao interior por alguns dias. Precisamos criar condições para formar profissionais nessas regiões e aumentar as chances de que construam ali sua trajetória. O Alto Acre tem demanda, população para atender e um hospital que pode ter papel importante nessa formação”, afirma Virgílio.
A iniciativa prevê residências nas áreas com maior necessidade regional e o uso da unidade como campo de internato, etapa prática da graduação realizada sob supervisão. A medida permitiria aos estudantes ter contato com a rotina da rede local antes da conclusão do curso.
A criação dos programas depende das instituições responsáveis e das regras federais. Pela legislação, uma instituição de saúde só pode oferecer residência após credenciamento, e os programas estão sujeitos à regulação da Comissão Nacional de Residência Médica.
Como deputado federal, Virgílio pretende atuar na articulação entre União, governo estadual, universidades e instituições de saúde para viabilizar o projeto. No Congresso, também poderá destinar emendas para estrutura e equipamentos, além de acompanhar políticas federais relacionadas à qualificação de especialistas e à ampliação da assistência no interior.
“Quando toda a formação fica concentrada na capital, o interior continua dependendo do deslocamento de profissionais. Queremos fazer o movimento inverso: levar parte dessa formação para onde existe demanda e criar condições para que o médico permaneça na região”, diz.
Saúde, emendas e transparência
Virgílio também defende a Emenda Participativa, plataforma digital pela qual a população poderá participar da escolha do destino de parte das emendas parlamentares de um eventual mandato. Na saúde, o mecanismo permitiria incluir necessidades locais na definição das prioridades e divulgar os valores destinados e sua execução.
“Quem vive na região sabe onde falta atendimento e quais serviços precisam ser fortalecidos. A participação da população ajuda a definir prioridades, e a transparência permite acompanhar se o recurso chegou ao destino. Esse controle também é uma forma de combater a corrupção”, afirma Virgílio.
A iniciativa complementa instrumentos já previstos nas regras estaduais. No caso das transferências especiais, os beneficiários devem apresentar planos de trabalho, e o governo mantém sistema com informações sobre repasses, execução financeira e prestação de contas.
“Não se trata apenas de destinar uma emenda. É preciso saber qual necessidade ela atende e permitir que a população acompanhe o resultado. É assim que o recurso público pode responder às prioridades de cada região”, conclui Virgílio.


