Rio Branco, AC, 7 de outubro de 2026 15:46

Sem batom, elas marcaram a história: entenda por que mulheres limparam os lábios antes de votar

Na primeira votação nacional com participação das mulheres na Itália, em 1946 eleitoras receberam uma orientação incomum para evitar que um simples detalhe colocasse a validade do voto em risco: o seu batom.

Um simples batom se tornou parte de um dos capítulos mais importantes da história política italiana. Em 2 de junho de 1946, quando as mulheres participaram pela primeira vez de uma votação nacional na Itália, uma orientação chamou atenção: elas deveriam evitar o cosmético nos lábios antes de entrar na cabine eleitoral.

Naquele dia, os italianos foram às urnas para decidir, por meio de um referendo, se o país continuaria como uma monarquia ou se passaria a ser uma república. Também foram escolhidos os representantes da Assembleia Constituinte. Para as mulheres, aquele momento representava a chegada a uma votação nacional depois de terem exercido o direito ao voto pela primeira vez nas eleições municipais realizadas meses antes, a partir de março daquele ano.

A recomendação sobre o batom tinha uma explicação prática. Às vésperas da votação, o jornal italiano Corriere della Sera publicou uma orientação para que as eleitoras comparecessem “sem batom”. Havia preocupação de que, durante o manuseio e fechamento da cédula, o cosmético deixasse uma marca no papel. Como sinais capazes de identificar o eleitor poderiam comprometer o sigilo e a validade do voto, a orientação buscava evitar qualquer risco.

Por isso, dizer que mulheres eram simplesmente “proibidas de votar de batom” não é totalmente correto. O batom não retirava o direito de ninguém votar. O problema era a possibilidade de uma marca acidental ser interpretada como identificação da cédula. A recomendação acabou se tornando um dos detalhes mais curiosos daquele momento histórico.

O resultado foi muito além das urnas. Vinte e uma mulheres foram eleitas para a Assembleia Constituinte, participando da construção da nova ordem política italiana. O referendo também terminou com a vitória da República, encerrando a monarquia no país.

Oito décadas depois, a história do batom ajuda a dimensionar como um direito hoje considerado parte fundamental da democracia foi exercido pelas italianas em meio a regras, cuidados e mudanças profundas. Elas foram às urnas orientadas a deixar o batom de lado, mas ajudaram a deixar uma marca que atravessou gerações.

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