Rio Branco, AC, 9 de outubro de 2026 22:09

Embrapa esclarece mitos sobre alimentos e alerta para informações falsas sobre nutrição

Especialistas explicam por que aditivos não tornam um alimento automaticamente prejudicial, como identificar produtos ultraprocessados e o que muda na alimentação de quem usa canetas emagrecedoras.

Informações divulgadas nas redes sociais têm levado consumidores a desconfiar de ingredientes como glúten, lactose e aditivos químicos, além de alimentos industrializados. Para esclarecer essas dúvidas, especialistas participaram do debate “Ciência e consumidor na era da (des) informação”, promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 7 de outubro de 2026. O encontro on-line reuniu cerca de 400 pessoas e discutiu como distinguir alertas fundamentados em evidências científicas de afirmações exageradas ou falsas sobre alimentação.

Um dos equívocos abordados foi a ideia de que todo alimento industrializado faz mal à saúde. A engenheira de alimentos Giovanna Pisanelli, da equipe do aplicativo Desrotulando, explicou que aditivos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não representam automaticamente um risco quando usados nas condições permitidas. Ela também esclareceu que um produto com mais de cinco ingredientes não é necessariamente ultraprocessado. Para avaliar o que se está comprando, a orientação é ler a lista de ingredientes e a tabela nutricional, em vez de confiar apenas nas mensagens destacadas na embalagem.

O debate também tratou dos efeitos das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento do diabetes e, em determinadas situações, da obesidade. A professora Hellen Maluly explicou que essas substâncias podem reduzir o apetite e modificar a percepção de sabores, cheiros e texturas dos alimentos. Essas mudanças podem influenciar tanto o que a pessoa sente vontade de comer quanto suas escolhas no supermercado, mas ainda são necessários estudos de longo prazo para compreender os efeitos sobre os padrões de consumo.

Além de combater informações equivocadas, os especialistas defenderam que a pesquisa sobre alimentos considere as necessidades reais dos consumidores. A Embrapa citou como exemplos a uva BRS Vitória, sem sementes e própria para consumo direto, e a BRS Lorena, usada na fabricação de produtos derivados. As duas variedades mostram como a pesquisa pode desenvolver alimentos com características específicas para diferentes usos. A recomendação central do debate foi avaliar a alimentação de forma equilibrada, considerando a composição dos produtos e as necessidades individuais, sem classificar ingredientes ou alimentos inteiros como prejudiciais apenas com base em informações divulgadas na internet.

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