Rio Branco, AC, 11 de outubro de 2026 11:32

Flávio Bolsonaro vence em 86% dos locais de votação em áreas de milícia no Rio

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi o mais votado em 86% dos locais de votação situados em áreas de controle ou influência de milícias na cidade do Rio de Janeiro. O levantamento identificou que o senador liderou em 268 pontos de votação, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente em 43, no primeiro turno das eleições.

O levantamento foi realizado pela coluna Tácio Lorran, a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com informações sobre a presença de grupos armados na capital fluminense.

Ao todo, os locais de votação localizados nessas áreas registraram mais de 440 mil votos para Flávio Bolsonaro, contra aproximadamente 318 mil para Lula. Grande parte desses pontos está concentrada na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O mapeamento das áreas de milícia utilizado na análise faz parte do Mapa de Grupos Armados, produzido pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF). Os dados mais recentes disponíveis no levantamento são de 2024.

Relações com milicianos

A família Bolsonaro mantém sua base política no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro já foi alvo de questionamentos relacionados a vínculos com pessoas investigadas ou condenadas por envolvimento com milícias.

Entre os casos citados está a contratação da mãe e da mulher de Adriano da Nóbrega para trabalhar em seu gabinete. Adriano era apontado como miliciano e foi investigado por suspeitas de participação em atividades criminosas.

Outro episódio envolve uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil destinada por Flávio Bolsonaro, a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, para um projeto esportivo. Calixto foi condenado por envolvimento no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Segundo as informações divulgadas, a negociação da emenda ocorreu em 2023, por meio de Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio no Senado. A Polícia Federal identificou indícios de possível desvio dos recursos.

As investigações também encontraram mensagens trocadas entre Calixto e Maria de Fátima pelo WhatsApp. As conversas estavam armazenadas no celular do miliciano, apreendido durante as apurações sobre o assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018.

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