Uma caixa-d’água deformada pelo calor pode parecer apenas uma imagem impressionante, mas, no Norte do Brasil, ela ajuda a ilustrar uma realidade cada vez mais difícil de ignorar: o calor está deixando marcas.
No Acre, os extremos climáticos já fazem parte da rotina. De um lado, a cheia do Rio Acre provoca alagamentos e coloca famílias em alerta. Do outro, a seca severa reduz os níveis dos rios, afeta comunidades e aumenta os impactos sobre o abastecimento e a produção.
Agora, o calor intenso acrescenta mais uma camada a esse cenário. O problema não está apenas no desconforto de enfrentar temperaturas elevadas. O impacto chega ao corpo, à vegetação, aos rios, às estruturas e à própria rotina das cidades.
A imagem da caixa-d’água derretendo sob o sol é simbólica. Mostra, de forma quase literal, aquilo que os números muitas vezes não conseguem transmitir: há limites para o que pessoas, cidades e estruturas conseguem suportar.
No Acre, entre cheias históricas, secas severas e calor cada vez mais intenso, a pergunta deixa de ser apenas quando o próximo extremo vai chegar. A questão é: até quando estaremos preparados para suportá-lo?


